RIR OU CHORAR? por FLÁVIO TAVARES (ZH 16456 12/09/2010)

RIR OU CHORAR? FLÁVIO TAVARES (ZH 16456 12/09/2010)

Todos os olhares convergem para a eleição, mas o grande tema desapareceu dos discursos dos candidatos. Um pesado silêncio paira sobre a corrupção na administração pública e na política, embora qualquer pessoa saiba o que seja propina, suborno ou outro nome que se dê à rapina.

A propaganda transforma a eleição em ilusionismo, como se voto fosse maquiagem para retocar a feiura. Nunca, na história do país, houve tanta corrupção como agora, mas não se fala nisso. Os corruptos perderam o pudor mas o povo os aceita, como se o destino inexorável da política (e da eleição) fosse o roubo encoberto pelo poder.

Agora, só se fala em “popularidade”. Inventaram até índices para mostrar, por exemplo, que o presidente da República cresce, diminui ou estagna em “ser popular”. Assim, a política vira jogo de aparências e os “líderes” só se preocupam com a própria imagem refletida no espelho da propaganda, quase sempre uma fantasia ou invenção. A realidade profunda não vale. Só a aparência.

Ser “popular” nada define. Bush, o paspalhão que levou os Estados Unidos ao desastre, foi o mais popular do seu país após os atentados de 11 de setembro de 2001. Reeleito com folga, fez o que quis no segundo mandato. O povo só percebeu o engano quando a crise varreu a economia em 2008! Na Venezuela, Hugo Chávez cada vez é mais coronel e menos presidente, mas não perde eleição.

Hitler era “o mais popular” da Alemanha ao criar os campos de extermínio. Continuou popular até mesmo na penúria da fome nos anos finais da guerra que engendrou. Na Rússia, Stalin continuou “o paizinho” de todos em pleno terror dos “gu- lags”. Aqui ao lado, na Argentina, em 1982, o povo aplaudia nas ruas o general e ditador Galtieri ao invadir as Ilhas Malvinas. Só viram a realidade após a derrota humilhante frente à Inglaterra.

Presenciei na Argentina os anos de euforia de Carlos Menem, eleito presidente em 1989 e reeleito num vendaval de votos que crescia em meio à corrupção desenfreada no governo. Só quando o país faliu (literalmente faliu) em 2001, o povo ligou o desastre aos ladrões “menemistas”.

Pulhas, velhacos e patifes apresentam-se em público com linguajar de honestos: ocultam o passado e prometem o futuro. Insistem tanto na mentira, que o eleitor assimila o engodo e vive-se, então, a ideia que Goebbels transmitiu a Hitler no início do nazismo: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade absoluta”.

Nesse quadro, o honesto que fez da retidão uma regra de vida sem o estardalhaço do embuste passa a plano inferior.

No tropel de candidatos sem passado (ou com passado inventado), os “populares” levam vantagem.

No Rio, Romário e Bebeto são candidatos a deputado. Com os pés, nos alegraram no Mundial de 1996, mas com a bola irão legislar? Em São Paulo, Netinho, cantor de pagode e condutor de vulgares programas de TV, é candidato a senador pelo PC do B, com apoio do PT. E o palhaço Tiririca será deputado. Seu lema (“vote em Tiririca que pior que está não fica”) pode fazê-lo “o mais votado”.

Lembram-se dos US$ 300 milhões que, tempos atrás, “apareceram” na conta de Paulo Maluf no Exterior? Ele foi denunciado por isso na França, mas o processo feneceu porque o Brasil “esqueceu-se” de responder às indagações da Justiça francesa. Agora, como em 2006, Maluf pode ser “campeão de votos” e só Tiririca o ameaça.

A diferença entre um e outro é que Tiririca nos faz rir e Maluf nos faz chorar.

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