A má e a boaconha.

26 de junho de 2011 | N° 16741

ARTIGOS

E agora? Quando será a marcha pela cocaína, pela heroína e congêneres, pelo ecstasy e até pelo crack? E, depois, quando teremos a passeata a favor do latrocínio, do assassinato e de tudo o mais que a lei prevê como crime? Qual a data daquela que será, sem dúvida, a mais gigantesca das manifestações gigantes, digna do “livro mundial dos recordes” – a marcha nacional pelo roubo, a corrupção e a trapaça? Não pensem que faço essas perguntas sob os efeitos delirantes daquilo que os eruditos chamam de “estupefacientes”, e que pode ser um cheiro ou um fuminho pela boca e as narinas. Nada disto!

Depois que, em nome da “liberdade de expressão”, o Supremo Tribunal Federal liberou e garantiu as marchas em favor da maconha, realizadas domingo passado nas grandes cidades, qualquer tipo de manifestação passa a ser viável e apta a receber proteção do Estado, bandeiras e orquestra.

Já que não há quem controle os excessos benevolentes dos nossos mais altos juízes, e já que são eles os intérpretes das leis, só nos resta indagar. A capacidade de decidir sobre o correto e o incorreto, sobre o certo e o errado já não está na lei, mas na interpretação dada ao que diz a lei!!


As regras, normas e leis não nascem do acaso, nem da chuva, mas da realidade em si.

Por exemplo: proíbe-se a propaganda de cigarro na TV e rádio, por quê? Porque o cigarro é nocivo à saúde, até mesmo à saúde de quem não fuma. E é atribuição do Estado zelar pela saúde dos cidadãos. Bastam os “fumantes passivos”, que respiram fumaça e cheiro do cigarro alheio. Ou os milhares de bebês que, fetos ainda, alimentam-se no útero com o cigarro da mãe fumante. Proíbe-se a propaganda porque propaga e induz ao consumo e, assim, faz a apologia de algo maléfico.

E a marcha pela maconha não é, em si, propaganda e apologia de algo perverso? A Cannabis afeta o sistema cerebral, entorpece o raciocínio, torna o usuário apalermado, retarda a volição e inibe a libido. Essa letargia é porta de entrada ao suicídio lento da cocaína ou à crueldade do crack.

Mas tudo isto é o Brasil. Na última quinta-feira, neste jornal, a verve de L.F. Verissimo fez, em poucas palavras, lúcida análise dos nossos dias: “Querem liberar a maconha e proibir a pesquisa histórica, mesmo para fins terapêuticos. É isso? Nacionalizar a maconha e privatizar o passado? Uma coisa não teria nada a ver com a outra se a atitude comum do brasileiro em relação à sua história não se parecesse com a letargia e despreocupação que caracteriza o barato da maconha”.


Sim, pois, entre recuos e avanços, o Senado debate agora se os documentos ultrassecretos do governo devem continuar ocultos eternamente. A presidente Dilma opta pela liberação de tudo que se refira aos direitos humanos individuais (incluídos os papéis da ditadura de 1964), mas titubeia quanto à documentação de nossas proezas com os países vizinhos. As atrocidades da Guerra do Paraguai continuarão sonegadas à História e “eternamente secretas”. Basta (deve pensar o governo) o que já demos ao Paraguai em Itaipu…

Os senadores José Sarney e Collor de Mello são os grandes opositores à abertura dos documentos secretos. Quando presidiram a República, ambos firmaram acordos de cooperação nuclear com a Argentina que o Brasil desrespeitou. O temor é revelar detalhes macabros de como não puderam controlar a direita civil-militar que, aqui, tentou construir a bomba atômica. Só as denúncias da imprensa lhes deram força para conter a loucura.

Em tudo isto, resta optar entre a boaconha e a maconha.

FLÁVIO TAVARES.

*JORNALISTA E ESCRITOR

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2 comentários em “A má e a boaconha.

  1. Nao consegui terminar de ler, de tanta coisa sem fundamento que ha nesse texto. Da onde saiu tudo isso? De mais um jornalista que limita sua visão apenas ao que ve na midia.

    1. Ao final do texto, encontrarás o nome do jornalista responsável pelo mesmo. Sugiro ler todo o texto e verificar em páginas de busca de quem se trata. Compartilhei porque é também a minha opinião.

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