Onze de Setembro…

Zero Hora de 11 de setembro de 2011 | FLÁVIO TAVARES

Por trás da data.

Será verdade que o 11 de setembro mudou o mundo e, desde então, nunca mais fomos os mesmos? Ou, nas mazelas e façanhas acumuladas desde o século 20, a destruição das Torres Gêmeas e do Pentágono foram só uma versão nova do horror, cuja dimensão se multiplicou ao ser filmada pela TV e acompanhada por nossos olhos ávidos enquanto tomávamos chimarrão ou café?

As caravelas de Vasco da Gama ou de Pedro Álvares Cabral mudaram muito mais (e definitivamente) tudo no mundo e na vida. Mas lá se vão 500 anos e os parcos documentos, restritos e em português arcaico, podem confundir a compreensão exata. Tudo tem seu tempo e o nosso é o das imagens ao vivo.

Já pensaram se, em 1945, Hiroxima houvesse sido filmada no momento da bomba? Quem seriam os heróis? E quem seriam os insanos assassinos? O Enola Gay, o avião que lançou a bomba sobre a população civil, seria peça venerada de museu, como hoje nos Estados Unidos?

Mais do que mudar o mundo, os atentados de 11 de setembro de 2001 multiplicaram – isto sim – o poder político-econômico-militar dos Estados Unidos no mundo. A óptica de encarar a vida pelo american way of life, e só por ele, é o principal legado daquele dia em que a indevassável potência sentiu-se encurralada por algumas horas. A partir daí, a direita norte-americana (que se afundava com Bush na presidência) usou os atentados como pretexto para seus delírios. O presidente impopular travestiu-se de vingador da honra da nação e invadiu o Afeganistão, logo o Iraque em “represália aos atentados”. Em verdade, o petróleo era a única meta.

E, já como belicoso Senhor da Guerra, Bush reelegeu-se, derrotando nada menos do que John Kerry, pacifista e herói da Guerra do Vietnã. Algo assim como, entre nós, Collor derrotara candidatos como Brizola, Mário Covas ou Ulysses Guimarães na redemocratização em 1989…

Com os atentados de 11 de setembro, a direita dos EUA ganhou de presente muito mais do que um incêndio do Reichstag. Na Alemanha, nos anos 1930, Hitler, Goebbels e Goering mandaram incendiar o parlamento e jogaram a culpa nos comunistas para perseguir a esquerda e desencadear o terror “legalmente”. Nos EUA de 2001, não foi preciso inventar. O fanático fundamentalismo islâmico presenteou a direita do Partido Republicano com um pretexto de fogo e sangue para levar à guerra que, de fato, só buscou o petróleo.

Além do poder político-militar, cresceu o poderio psicossocial dos EUA. Nisto, mais do que tudo, o 11 de setembro é data-marco: o estilo deles expandiu-se e dita as regras em tudo. Em portos e aeroportos, as normas de segurança obedecem às necessidades de vigilância dos EUA, não às nossas. Nos controles sanitários, idem. Nos medicamentos ou nos alimentos industrializados (que consumimos sem perceber o perigo), eles é que nos dão os índices “permitidos”. Como atentos macacos, nós copiamos tudo, sem indagar se o corante “x” do alimento “y” pode nos ser cancerígeno ou daninho.

Nem a decadência econômico-financeira atual (gerada pelos delírios da direita de Bush) alterou o poder imperial. E o 11 de setembro foi decisivo nisso. Ou as chamas e as cenas filmadas pela TV e que entraram em nossos lares e escritórios como algo inesquecível. Pela primeira vez, séculos afora, a morte e a destruição chegavam a nossas casas como visitantes, ao vivo, como partida de futebol ou a Califórnia da Canção. E em cores mais vivas que as da realidade.

FLÁVIO TAVARES
JORNALISTA E ESCRITOR
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