TÁTICA DO BOPE

Zero Hora de 19 de outubro de 2011 | JOANA COLUSSI

TÁTICA DO BOPE Um choque nas equipes.

Ex-capitão de batalhão de elite do Rio traduz para o ambiente corporativo os ensinamentos aplicados em operações policiais
Acostumado a entoar ordens de comando ao Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro Paulo (Bope), o ex-capitão Paulo Storani, 49 anos, agora magnetiza plateias e empresas ao adaptar conceitos aprendidos na elite da polícia carioca à realidade corporativa.

Mestre em Antropologia e pós-graduado em Administração Pública e em Gestão de Recursos Humanos, deixou a carreira militar há mais de 10 anos para seguir a carreira acadêmica. Com voz de comando e jeito inquieto, Storani é enfático ao defender a determinação e o sacrifício para alcançar metas.

– Às vezes, ficamos esperando que alguém nos ache bonitos, competentes e capazes, mas não fazemos o mínimo de esforço para alcançar isso. O sacrifício é o que caracteriza a missão. E a missão quem define é quem a recebe – disse o ex-capitão, ao explicar o jargão “missão dada é missão cumprida”.

Um dos inspiradores do personagem capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite, o ex-militar esteve na Capital ontem à noite para participar de evento de 74 anos do Sindilojas de Porto Alegre. Em entrevista a Zero Hora, o ex-capitão do Bope contou que presta consultoria a um clube de futebol gaúcho que passou por um momento de crise recentemente, sem dizer se é Inter ou Grêmio. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Das ruas às empresas

Dentro do Bope você precisa de pessoas que em situação de risco máximo, que ninguém consegue resolver, alguém tem de resolver. Um dos conceitos do Bope é a seleção rígida de seus integrantes.

O mundo corporativo seleciona bem e espera que as pessoas já venham capacitadas. O que observo é que as pessoas são preparadas para uma dimensão que não é a realidade. E quando muda o cenário e, por algum motivo, você não estava preparado, as pessoas entram em colapso.

A cobrança vem

A vida cobra da gente. Os negócios cobram resultado. Até hoje não vi nenhuma empresa que tenha sido criada somente para dar emprego às pessoas. As empresas atendem a uma demanda de mercado e precisam de pessoas que produzam.

O modelo do Bope às vezes é muito criticado porque exige mais das pessoas, mas é isso mesmo: exige mais das pessoas. Porque se nós não fizermos, ninguém faz, e alguém tem de fazer.

Missão cumprida

As pessoas compreenderam erroneamente a forma como foi transmitido o conceito de “missão dada é missão cumprida”. Quem manda pode determinar um objetivo, uma meta ou uma tarefa a ser executada.

Quem transforma aquilo em missão é quem recebe. O conceito de missão é o nível de profundidade e o esforço que você dispende para realizar a tarefa. As pessoas só tomam aquilo para si quando veem relevância.

Hora do sacrifício

As pessoas têm muita resistência ao sacrifício. A CLT não prevê sacrifício de ninguém, não existe contrato de trabalho que exija isso. O sacrifício é abrir mão de alguma coisa em benefício de outra. E normalmente temos de abrir mão de alguns direitos que temos: descanso e lazer. Explico: se você quer ser um profissional melhor do que é, precisa fazer um curso de qualquer natureza, você terá de fazer fora da hora do trabalho. Quando eu quero ir além, me qualificar perante família, chefia ou mercado, você começa a fazer diferença em qualquer lugar, e as portas começam a se abrir. Determine seu objetivo, transforme em missão, planeje como atingi-lo, se capacite, aprenda e seja disciplinado na execução do plano. Faça o melhor, com excelência. Vá e vença, que por vencidos nunca nos conhecem.

Se unir às pessoas

Muitas empresas estimulam a competição interna, que só é válida quando é saudável. O fato dela ser melhor não quer dizer prejudicar alguém que esteja ao seu lado. Quando você cria um ambiente competitivo, mas insalubre, a competição é tão forte que você passa a odiar seu colega. Isso é muito comum nas empresas que fazem fusão. Nós somos um sistema. Não adianta um funcionário superar todas suas metas e a empresa fracassar. Precisamos sacrificar egoísmo, orgulho, vaidade e preconceito. Quando você consegue suprimir esses vícios, é porque está disposto a se unir às pessoas.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

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